quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A CONTRIBUIÇÃO FEMININA AO MODERNISMO BRASILEIRO



Dacélia Brito Barrada

Graduanda de História na Universidade Estadual do Maranhão 



Resumo:



Este artigo busca mostrar como se deu a contribuição de algumas mulheres para o movimento
modernista do início do século XX. Para isso iremos fazer um esboço da contribuição da Anita
Mafaltti, Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão (Pagu) para tal movimento diante das transformações sociais que se iniciaram no final do século XIX.



Palavras chave: Modernismo, Arte brasileira, Tarsila do Amaral, Anita Mafaltti, Pagu.







Introdução



A Missão Artística Brasileira chega em 1816. Até então a arte era vista como um assunto de negros escravos e não de homens livres, pois era considerado um trabalho manual e nãointelectual pela elite brasileira1.

 Mesmo com a inauguração da Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro, as aulas eram realizadas meio que na informalidade, não havendo registros de mulheres que tenham estudado na Academia ou que exposto suas obras em Salões como era feito na época. A arte, para a mulher, continuava sendo aquela que era restrita ao lar, a arte de cozinhar, bordar, costurar dentre outros tudo isso para que pudesse bem representar o seu marido ou a sua família perante a sociedade2.

Com raríssimas exceções, até o fim do Século XIX no Brasil é difícil ver mulheres que tenham tido a coragem de encarar um estilo de vida em que não fossem bem vistas pela família e pela sociedade participar da vida pública, expondo seus trabalhos, conquistando admiradores de seu trabalho e fama era praticamente impossível sem que isso viesse acompanhado com especulações de sua conduta moral que acabava prejudicando.



Anita, um escândalo


No início do século XX, houve uma renovação do cenário das artes em diversas partes do mundo. O Modernismo Europeu influenciou essas artistas através de viagens de estudo como,
por exemplo, a Anita Mafaltti que era filha de imigrantes, estes que já traziam uma bagagem cultural diferenciada em relação da que existia no Brasil, foi para a Alemanha em 1910 para estudar na Academia Real e lá teve contato com mestres do Expressionismo daquele período
3.
Mais tarde foi para Estados Unidos, em 1915 onde teve vasta inspiração para compor suas obras, além de entrar em contato com o Modernismo Americano ainda sob o efeito do Armory Show
4.

Em 1917, Anita Malfatti retorna ao Brasil e realizou uma exposição artística revolucionária que causou muita polêmica, por causa de sua inovação, em retratar personagens marginalizados dos centros urbanos, causando desaprovação nos integrantes das classes sociais mais conservadoras principalmente no meio intelectual envolvendo de um lado a artista e, de outro, o escritor Monteiro Lobato. Ela foi duramente criticada, mas essa exposição de 1917 foi um dos elementos de união entre os modernistas brasileiros para que pudessem se alinhar e promover as transformações de que o Brasil necessitava5.
As críticas podem ter sido tão severas pelo fato da condição de ser mulher, que para a sociedade daquele período, era um caso de extrema ousadia tentar romper com alguns preconceitos
6.



Tarsila modernista


Este fato acabou incentivando outras mulheres a fazerem parte do movimento. Uma outra contribuição feminina foi a de Tarsila do Amaral que em 1920 vai para a Europa para estudar na Academie Julian em Paris e passa a freqüentar vários ateliês franceses principalmente o ateliê de Émile Renard.

Em 1922 expõe uma tela no Salão Oficial dos Artistas Franceses por isso, não participa da Semana de 22 no Brasil. Logo depois ela retorna ao Brasil e se une de vez com os intelectuais do grupo modernista. Retorna à Europa em 1923 e passa a ter contato com vários intelectuais do modernismo europeu novamente. 

Esse contato comdiversos intelectuais contribuiu para que a Tarsila viesse mais tarde a influenciar seus amigos modernistas a fundarem o Movimento Antropofágico que foi concebido através de uma de suas obras a tela “Abaporu” que significava justamente antropofagia que para eles adquiria o sentido de deglutir a cultura européia para poder se pensar em uma nova forma de arte brasileira, considerando os elementos mais ligados ao povo brasileiro de fato. Com isso a Tarsila passa a ser considerada um dos pilares do Modernismo Brasileiro ao começar a retratar em suas telas as classes menos favorecidas, os trabalhadores, os excluídos, personagens que ainda não eram retratados na arte em épocas anteriores. 7


Pagu, menina-mulher.


Analisando num outro lado do Modernismo, a contribuição de Pagu( Patrícia Galvão) para o modernismo brasileiro foi bem diferente. Teve a sua participação no movimento modernista já consolidado bem depois da Semana de 22, e contribuiu como escritora uma das poucas de seu tempo com o seu livro Parque Industrial em que descreve sobre a realidade do operariado e faz uma crítica a sociedade burguesa devido à sua influência socialista, anarquista. Grande personalidade do feminismo brasileiro que começava a se organizar nessa época tinha personalidade forte, e foi caracterizada nesses anos de mulher libertária, anti-burguesia, rebelde, totalmente fora dos padrões da época.
Ela virou um símbolo da nova mulher que surge com o avanço da economia capitalista e que a sociedade teria que engolir esse novo tipo de mulher atualizada com as vanguardas do mundo. Patrícia Galvão influenciou também as gerações futuras de mulheres feministas, ou as que eram contra a opressão dentro de casa, as amantes (já que seu caso com Oswald de
Andrade quando ainda era casado com Tarsila do Amaral se tornou um escândalo).


Modernas mulheres


Depois de ter exposto um pouco da vida e obra de cada uma dessas artistas, é
necessário fazer uma pequena reflexão sobre o lugar delas para aquela sociedade do início do século XX ainda herdeira de uma sociedade com valores machistas (o que não mudou muito atualmente). Elas acabaram assumindo um caráter de individualidade radicais da arte do país. Essas mulheres não dependiam de suas produções para viver. Sempre eram financiadas pelos pais ou maridos8. Assim elas poderiam se dedicar mais tempo em elaborar uma arte que ampliasse o conceito de arte brasileira.

O cenário das artes e da sociedade começava a mudar. Excluíam-se pouco a pouco as limitações impostas pela crítica intelectual conservadora; eles teriam que se acostumar coma presença da mulher na pintura na literatura e na vida pública. O espaço da mulher estava sendo conquistado em setores onde somente os homens poderiam transitar. Pouco a pouco as barreiras do preconceito foram se rompendo e o panorama da arte brasileira passa a ter um novo

rosto. 

Apesar de se tratarem de três modernistas de região de são Paulo, não devemos cair no erro de considerar o Movimento Modernista em si somente através dos artistas que promoveram a Semana de 229. Mas devemos considerar que nessa região as transformações

sociais que estavam ocorrendo nesse período eram o que o capitalismo já tinha feito em outras partes do mundo e historicamente aquela região teve “requisitos” para absorver tais contradições desde o Império.

Assim as mulheres vão pouco a pouco se tornando protagonistas de sua suas vidas
e quem sabe, da história.


1
CHIARELLI, Tadeu. Arte Internacional Brasileira. São
Paulo: Lemos Editorial, 2002, p13.

2
LOURO, Guacira Lopes. Mulheres na sala de aula, In:
DEL PRIORE, Mary (Org.) História das Mulheres no
Brasil
.
São Paulo: Contexto. 2007, p. 446.

3
BASTOS, Eliana. Entre o escândalo e o sucesso: A Semana
de 22 e o Armory Show
. São Paulo: Unicamp, 1991,
p-43.

4
IBDEM, p-43,44.

5IBDEM,
p-45.

6
IBDEM, p-161

7

CALABRIA, Carla Paula Brondi. Arte, História e
Produção: Arte Brasileira.
São Paulo:
FTD, 1997.

8
CHIARELLI, Tadeu. Arte Internacional Brasileira. São
Paulo: Lemos Editorial, 2002, p-21.

9
VELLOSO, Mônica Pimenta. O Modernismo e a questão
nacional
. In: FERREIRA, Jorge e ,DELGADO, Lucília. O
Brasil Republicano-O tempo do liberalismo excludente: Da Proclamação
da República à Revolução de 1930
.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006, p-354.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007


A PSEUDO-DESCOBERTA E PROCESSO DE CONQUISTA DA AMÉRICA A PARTIR DO IMAGINÁRIO EUROPEU.


Dacélia Brito Barrada
Graduanda de História Licenciatura pela UEMA.

RESUMO

Este artigo pretende desmistificar o conceito de descobrimento da América a partir da reflexão feita por alguns autores que partiram da análise do Imaginário coletivo desse período e o processo de conquista que aconteceu influenciado pela idéia de descoberta do século XV.

PALAVRAS CHAVE: América, conquistas, imaginário, Renascimento, pseudo-descobrimento.




A PSEUDO-DESCOBERTA

A chegada dos europeus ao novo mundo foi o resultado das melhorias do sistema de navegação e do acumulo de conhecimentos geográficos necessários para tentar compreender as características da Terra.
[1] Os mitos medievais não saciavam mais a necessidade de se acreditar em algo. Tornava-se cada vez mais necessário “ver para crer”, provar, explicar que existe. E Colombo supondo que a Terra fosse redonda, resolveu comprovar essa idéia manifestando seu espírito racional, próprio da renascença. Depois de ter “descoberto” que a Terra era de fato redonda, suposto que havia chegado ás Índias, as suas análises e a de outros “descobridores” ainda estavam permeadas pelo imaginário do período medieval e pelo pensamento cristão.
“A América surgiu primeiro pelo gosto, pelo prazer de narrar, de expor os fatos com sutis matrizes, capazes de restaurar o imaginário do interlocutor, despertando nele o interesse pela aventura, pelo maravilhoso, pelo conhecimento do desconhecido.”
[2]
Segundo Janice Theodoro, A América é inventada junto com a Modernidade a partir do encontro cultural que houve entre a civilização européia e a civilização americana e a Europa só teve consciência unificadora quando se deparou com a América. A necessidade de Colombo em ter que narrar as suas viagens, fez com que ele aproximasse o exótico do mundo novo com o natural europeu para que melhor agradasse ao público. Colombo apresentou a América como um recorte das índias rica e admissível, como um paraíso prometido por Deus (Paraíso Terrestre) através de leituras de gestos e modos dos ameríndios e:
“Assim ele criou a América, ao mesmo tempo, rica e verossímil, que agradava ao leitor acostumado ao luxo e a riqueza presentes nas descrições de um Oriente exótico.”
[3]
Através da narrativa exposta em O Diário de Colombo e a Vida Del almirante ambas uma mistura de sonho e realidade, a Janice expõe como a América foi inventada antes de Colombo pelo motivo de que ela já existia no imaginário europeu e repassada através da oralidade. Ela compartilha junto com Edmund O´Gorman a idéia de invenção, que seria mais adequado nesse caso. Pois segundo ele, uma coisa não pode ser descoberta se antes já se sabe da existência da coisa [4].Assim, Colombo pensou que tinha “descoberto” a América na época, mas nem a empresa expansionista que o patrocinara acreditava nessa grande “descoberta”.

ELEMENTOS DO IMAGINÁRIO
Durante a construção de uma narrativa que procurasse agradar aos europeus, houve a mistura do universo medieval com o espírito aventureiro racional. Os relatos feitos pelos navegantes que haviam chegado ao Novo continente comprovaram a suposta existência (isso na mentalidade deles) de seres que habitavam a imaginação européia.
“Pouco importa se alguma forma descomunal ou contrafeita parece às vezes querer perturbar o espetáculo incomparável. Não serão apenas primores e deleites o que se há de oferecer aqui ao descobridor. Aos poucos, nesse mágico cenário, começa ele a entrever espantos e perigos. Lado a lado com aquela gente suave e sem malicia, povoam-no entidades misteriosas e certamente nocivas — cinocéfalos, monoculi, homens caudatos, sereias, amazonas —, que podem enredar em embaraços seu caminho”
[5].
Os relatos aumentaram o interesse pelo estudo desses monstros que segundo Mary Del Priore dá uma resignificação do monstro para essa sociedade relacionando a fantasia e o inabitual com o renascimento, a ciência e a magia.
[6]
Ela também levanta a importância da visão para a constatação, ou seja, o que foi visto fora experimentado, logo é real. Del Priore apresenta a contribuição dos viajantes desse período para a Teratologia (estudo dos monstros), que pessoas ligadas á ciência contraditoriamente também, contribuíram para esse estudo elaborando construções mais racionais para a explicação das deformidades e passagem deste para a percepção do monstro como animal.
O imaginário dos colonizadores não se restringe somente a concepção dos monstros. Os mitos e fantasias também dominaram a mente dos “descobridores”. Através desses mitos os conquistadores sonhavam em desvendar esses mistérios e para isso organizavam expedições com o mesmo objetivo. Não é a toa que as grandes descobertas feitas pelos espanhóis foram fruto da obsessão em conquistar fortuna e poder através da descoberta de ouro na região como, por exemplo, a feita por Cortez e Pizzarro.


PROCESSO DE CONQUISTA
É um fato que os europeus conseguiram exercer seu domínio sobre as civilizações ameríndias. Mas ainda restaram duvidas: Como se deu esse processo de conquista e por que os europeus conseguiram vencer os ameríndios. Para tentar responder a essas perguntas analisaremos as abordagens feitas por autores “contemporâneos” nessa área. O Rafael Gonzáles tentou explicar o processo de conquista fazendo um paralelo entre o pensamento de duas obras literárias e o pensamento desses colonizadores
[7]. O Príncipe, de Maquiavel e Dom Quixote, de Cervantes refletem o pensamento de buscas por um ideal, visão providencialista e realidade subjetiva todos os presentes na sociedade renascentista, mas características que ainda estão permeadas de elementos do imaginário medieval (ideal de cavaleiro, cristandade, figura do rei). Para Gonzáles, o processo de conquista empreendido pelos espanhóis se deu através do convencimento de que os espanhóis estavam indo para o Novo Mundo cumprir uma missão esta que seria a de levar a fé para os ameríndios, o que seria justo para os índios e também para a Coroa de Castella.
“Esse embate foi ocasião para que as personagens evoluídas no drama da conquista e da colonização da América pudessem mostrar sua capacidade de interpretação e de adaptação de uma realidade legislativa, muitas vezes utópica
[8] para uma realidade vital a realidade da América conhecida “[9].
Outra visão proposta por Ruggiero Romano baseada na análise de um poema de Pablo Neruda atribui a derrota dos ameríndios a três fatores: a Espada a Cruz e a Fome. A espada por causa de uma “superioridade” bélica dos espanhóis, aliada à violência simbólica e estratégias de alianças. A cruz como a religião dos povos ameríndios que estava ligada ao estado e se fragmentou depois da chegada dos espanhóis que foi interpretado como a concretização de uma profecia e profecias não pode sofrer intervenções. Já a Fome, apesar da palavra possuía outro significado como ele explica:
“Se nos servimos deste termo, é porque ele nos parece resumir bem todos os valores da cultura material que foram levantados pela conquista. Toda certa ordem de coisas foi levantada; ritmos de trabalho; tipos de cultura; tipos de vida; tudo foi mudado ou, o menos, consideravelmente modificado”.
[10] Assim, na palavra Fome ele quis integrar os sistemas culturais e religiosos que culminaram na desestruturação dessas sociedades.
Já um autor que melhor elaborou uma teoria para explicar o domínio europeu sobre os ameríndios foi o Tzvetan Todorov que atribui o silencio desses ameríndios para com os conquistadores, como elemento do sistema simbólico deles que não foi adequado ao sistema dos conquistadores. Ou seja, os sistemas de signos desiguais dessas culturas num jogo de máscaras
[11]. O problema da dificuldade em ver a diferença do outro pelo europeu do século XV, foi oriundo de uma disseminação de valores culturais europeus entre os habitantes desse novo continente. Daí a dificuldade que se tem em assimilar o outro como diferente. “Para nós porque nos permite fazer uma auto reflexão, descobrir as semelhanças e também as diferenças; mais uma vez o conhecimento de si passa pelo conhecimento do outro” [12].


CONCLUSÃO

Conclui-se que não é adequado se utilizar o termo “Descoberta” para caracterizar essa etapa histórica, pois como já foi dito, já se tinha uma noção da existência dessas outras terras e essa noção estava presente no imaginário europeu há muito tempo antes e então não podemos descobrir algo que já tenha um significado prévio. O conceito que para nós tornou-se aparente no período colonial foi muito difundido e serviu como justificativa para o exercício de domínio das civilizações ameríndias, que acabou dizimando duas grandes civilizações que possuíam um grande nível de organização social.
Os Historiadores aqui expostos trabalharam em suas obras com a noção de imaginário, mas as leituras que fazem das representações são diferentes. Isso porque a Nova História Cultural permite análises por vários pontos de visão, já que há muitos elementos que foram manifestados pelos indivíduos, carregados de sentidos e de intenções nesse momento histórico, como em muito outros e que precisam ser analisados.
[13] Mas vale lembrar que as análises que cada historiador faz sobre esse passado também estão carregadas de intenções e conceitos própios de seu tempo, tornando aqui preocupante a utilização dos métodos da Nova História que devem ser discutidos e revistos para a construção de uma História que facilite a compreensão da mensagem dos historiadores.

[1] MAGASICH AIROLA, Jorge. América Mágica. São Paulo. Paz e Terra, 2000
[2] THEODORO, Janice. América Barroca. São Paulo:Cia. das Letras, 1992. Pág. 42.
[3] IDEM, pág. 43.
[4] O´GORMAN, Edmund. A invenção da América. São Paulo: EDUNESP, 1992, pág. 66
[5]HOLANDA, Sérgio Buarque de. Visão do Paraíso. São Paulo: Brasiliense, 1994. Págs. 16e 17
[6] DEL PRIORE, Mary. Esquecidos por Deus: monstros do mundo europeu e ibérico-americano.São Paulo:Cia. das Letras, 2000
[7] Gonzáles Ruiz, Rafael. O Novo e o Velho Mundo: da utopia à realidade. Artigo extraído do site http://ceveh.com/bilbioteca/artigos/rr-p-a-quixote.htm em 24/03/2000.
[8] O conceito de utopia que ele usa tem o sentido de projeto a ser realizado e não o conceito de utopia comum.
[9] Idem pág. 7.
[10] ROMANO, Ruggiero. Os mecanismos de conquista. São Paulo: Perspectiva. 1972. Pág. 21.
[11] BRUIT, Hector. O visível e o invisível na conquista hispânica da América. In Vainfas, Ronaldo 9org. América em tempo de conquista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1992. Pág. 82.
[12] TODOROV. Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins fontes 1991. pág250
[13] PESAVENTO Jatahy,Sandra. Em Busca de uma outra História: Imaginando o Imaginário. In Revista Brasileira de História. Representações. São Paulo: Contexto, 1995.

sábado, 15 de setembro de 2007

ANÁLISE DA OBRA
“DO CONTRATO SOCIAL – JEAN-JACQUES ROUSSEAU”

DACÉLIA BRITO BARRADA
DAYLANA LOPES
USLAN JUNIOR SOUZA DE MESQUITA
Graduandos do curso de História – Uema.





INTRODUÇÃO

A super valoração da liberdade como ideal político são explanados neste utópico projeto político filosófico do francês Rousseau.
Fortemente influenciado pela literatura romântica de sua época como clássico Robinson Crusoé de Defoe que vai despertar no jovem Jean-Jaques o interesse pelo indivíduo livre e independente do contexto social, mesmo assim, feliz.(Vivendo produtiva e curiosamente conhece alguns países e escritores famosos e pensadores de destaque que vão influir na sua forma de ver, sentir e questionar o mundo.)
Em 1757, escreve Do Contrato Social, onde se propõe investigar na ordem civil, a legitimidade e segurança no processo administrativo.Extremamente consciente de seus direitos e deveres cívicos reflete sobre as formas de governo e os meios que este usa para manipular o pensamento do povo, afim de se manter o máximo de tempo possível tirando proveito.





LIVRO I




[´´Quero saber se na ordem civil pode haver alguma regra de administração legítima e segura, tomando os homens tais são e as leis tais como podem ser.``]
Tal frase coloca em xeque um problema trabalhado no Contrato Social: o estado civil, baseado em convenções, não provém da natureza.
Para Rousseau, a liberdade era um fato natural e a escravidão um ato convencional. O homem nascia livre mas a sociedade o escravizava.
Logo no primeiro capítulo o autor deixa claro o princípio de liberdade afirmado por ele ao dizer que melhor do que o povo obedecer é se tendo chance de sair da opressão, o faz. Pois assim recuperaria a liberdade da mesma forma que esta foi tomada, á força.
[´´...Todos nascem homens e livres; a liberdade lhes pertence e renunciar a ela é renunciar a própia qualidade de homem...``]. Rousseau não compreendia o destino do homem que nascia livre e sempre prisioneiro.
´´A redenção do homem só poderia dar ao afirmar o poder de sua vontade, caminho de sua libertação... A proteção do homem contra a opressão, a afirmação de sua personalidade são as idéias mestras de uma doutrina de profundas repercussões na escola das reivindicações.``
O ideal de liberdade do Contrato Social influenciou e ainda influencia-nos até hoje, pois almejamos uma sociedade mais igualitária uma vez que tal palavra só existe na constituição mas no mundo real não é praticada e o homem ainda luta para sair da opressão e tornar-se verdadeiramente livre.
Rousseau faz uma comparação entre o poder paterno na família natural e na ´´família política``.O pai no Estado seria o cabeça e os filhos o povo.
Todos nascem iguais e livres e só a proveito comum cedem a sua família o amor que o pai tem pelos filhos paga os cuidados com ele; já no estado a alegria de governar supre o amor que não é dedicado aos povos.
Sobre o direito do mais forte, Rousseau afirma que a força não produz direito e só é força obedecer aos legítimos soberanos e não o dever.
Critica os soberanos que transformam a força em direito e a obediência num dever, pois tal direito (do mais forte) tem como conseqüência não uma moralidade mas um caos inexplicável.
Rousseau sendo crítico dos governos despóticos também era contra toda a forma de escravidão e via a liberdade como um bem supremo.
O autor propõe o pacto social que seria o contrato do povo consigo mesmo. Ele coloca o problema fundamental de se criar um pacto, com a sociedade como meio de assegurar o convívio pacífico entre os homens:
´´Achar uma forma de sociedade que defenda e projeta com toda a força comum da pessoa e os bens de cada sócio, e pela qual, unindo-se cada um a todos, não obedeça todavia senão a si mesmo e fique tão livre como antes``.
Em seguida resolve-o. Ou seja, a alienação total dos direitos de cada um em favor da comunidade, colocava todos em igual situação, de modo que ninguém teria a oportunidade de prejudicar ninguém.
Diferente dos seus precussores; contrato de todos com um(Locke), contrato de cada um com cada um(Hobbes e Espinosa), Rousseau democratizou a concepção de´´ pacto`` porque para ele o soberano era o povo e o mesmo povo era quem manifestava a vontade geral.Para Rousseau, a associação entre particulares cria um corpo moral e coletivo e produz um eu comum dirigido pela vontade geral que se confunde com o Soberano que nada mais é que o corpo político.
Claire Salomon-Bayet fala de forma bem esclarecedora sobre o Soberano:
´´A vontade do soberano é o próprio soberano``, isto é, o poder na sua legitimidade.O Soberano que se deve entender como neutro, é como a vontade geral, inalienável, indivisível, infalível e sem limites. O poder não se pode delegar nem fazer-se representar: ilusória, a teoria da separação dos poderes, visto que só o poder legislativo é poder na verdadeira acepção da palavra. O Soberano tem poder absoluto sobre ´´parte de tudo isto``― poder, bens e liberdade ― cujo uso tem importância para a comunidade.
A democracia de Rousseau corresponde à democracia direta do povo real, ativo, militante, exercendo soberanamente sua vontade política criadora.



LIVRO II



CAPÍTULO 1-A SOBERANIA É INALIENAVEL
´´Não sendo a soberania mais que o exercício da vontade geral, não pode nunca alienar-se; e o soberano, que é unicamente um ser coletivo, só por si mesmo se pode representar.É um dado transmitir o poder, não a vontade.``
Para Rousseau, a vontade particular tende por sua natureza às preferências e a vontade geral à igualdade. Se o povo promete obedecer à alguém, ele logo perde sentido de povo pois o conceito de soberano não terá mais sentido.


CAPÍTULO 2-A SOBERANIA É INDIVISÍVEL


A soberania é indivisível pelo mesmo motivo de ser inalienável, pois se a vontade for geral e de todo o povo essa vontade se faz lei, caso contrário não é considerada como um ato de soberania e sim um decreto ou uma vontade particular.Os políticos não podendo dividir o soberano, fragmentam o corpo social e depois o unem como numa mágica.


CAPÍTULO 3-SE A VONTADE GERAL PODE ERRAR


A vontade geral não pode errar já que o povo quer sempre o bem e necessariamente o bem de todos e de cada um, e sendo assim não pode haver interesse contrário ao deles, é impossível que o corpo queira prejudicar a todos os membros e todo e qualquer ato autêntico da vontade geral, obriga ou favorece igualmente a todos os cidadãos. É necessário ainda que a vontade geral seja verdadeira e autenticamente geral, sem imposição alguma de vontades particulares.







CAPÍTULO 4-DOS LIMITES DO PODER SOBERANO



A vontade geral é absoluta de um poder sem limites. Nesse capítulo, Rousseau se revela dividido entre o individualismo do começo da obra, de seu temperamento e o absolutismo democrático que conduz a lógica de sua construção. Mas o soberano deve estar em condições de tudo salvar.



CAPÍTULO 5-DO DIREITO DE VIDA E DE MORTE



Os súditos obedecendo ao soberano, a ninguém obedecem senão a sua própia vontade. Rousseau quis criar uma soberania sem perigo para os governados e Soberania do povo isto é, dos cidadãos em conjunto em oposição a soberania existente n seu tempo. Todo homem pode arriscar a sua própia vida para defender a mesma e quem estiver vivo pelo auxilio dos outros, deve doar a sua vida quando lhe for necessário. Quando o criminoso não respeita o direito social, pode-se considerar que este é um traidor à sua pátria e sendo assim os processos e as sentenças que ele recebe são provas de que o criminoso violou o contrato e não merece fazer parte do soberano. E só há perdão desses crimes quando o estado se corrompe e para evitar o fim do tratado social, com o resto do povo, pode-se impor a pena de morte.




CAPÍTULO 6-DA LEI




A lei é o único remédio ao capricho, à arbitrariedade dos homens particulares, detentores do poder. Só ela permite subjulgar os indivíduos para torná-los livres, despertar a vontade com a sua própia autorização, fazer valer seu consentimento contra sua recusa. Para Jean-Jacques, a lei é a mais sublime de todas as instituições humanas, é o reflexo neste mundo de uma ordem transcedente. A lei não poderia ser uma expressão da vontade inteiramente arbitrária do soberano. O povo sujeito ás leis deve ser o autor das mesmas .
No final deste capítulo, há uma grande surpresa pois Rousseau que sempre defendeu a vontade do soberano, a vontade de todos, que uma vontade particular não deveria interferir no poder do povo, apela para um legislador , que é um indivíduo.





CAPÍTULO 7-DO LEGISLADOR



O legislador é um indivíduo único, ser extraordinário, inspirado e quase divino capaz de dar a um povo, no ponto de partida, na origem de sua vida política, as suas leis essenciais, fundamentais, fonte das instituições duradouras.
Para ser extraordinário, o legislador deve ter o gênio de um deus ou seja, ter uma inteligência superior capaz de compreender as necessidades dos homens sem experimenta-las, transformar o indivíduo em parte de um todo para nele estabelecer a unidade e a paz. O legislador também desse ser extraordinário pela sua função nessa sociedade: ele não é soberano e nem impera nos homens. O legislador só impera as leis e constitue o estado mas não faz parte da constituição do Estado.
Neste capítulo nota-se duas coisas que parecem incompatíveis: uma empresa superior à força humana e para executa-la, uma autoridade que nada é. E para resolver isso Rousseau diz que os grandes legisladores deram palavra aos deuses como se todas as decisões e leis tivessem vindo da sabedoria dos deuses.E dizendo isso, parece que está havendo uma confusão para quem lê mas logo em seguida ele explica dizendo que entre as leis que o legislador confere à cidade que funda há uma categoria mais importante, e dela depende a boa observância de todas.



CAPÍTULO 8, 9e 10-DO POVO E AS CONTINUAÇÕES




Enfim, o maior legislador, não dá aos povos as instituições que quer. Não é tudo redigir as leis boas em si mesmas, é preciso ainda examinar se o povo a que se destinam as leis está apto a suporta-las.









ANÁLISE DO LIVRO III



A liberdade é o bem maior de um homem, dado que ela é oferecida pela natureza .´´O homem nasce livre``. As relações entre os indivíduos são muitas e complexas, visto que estes têm interesses divergentes num mesmo estado natural que se encontram e precisam estabelecer os limites de cada um. A liberdade tem que ser controlada para proporcionar harmonia no meio social. ´´ E por toda parte geme agrilhardo``. Assim, fundamentando os direitos individuais, estabelece-se a ordem social que é um direito sagrado e trás consequentemente o homem do seu estado natural para um estado civil onde tudo são convenções.
A soma das forças individuais são convertidas em direito, dever e obediência haja visto que o homem não pode engendrar novas forças, mas ruim é dirigir as que existem para que haja autoridade legítima que possa governar um estado bem constituído, ou seja, que respeita os direitos de seus membros, nisso consiste o pacto social que obriga cada cidadão a obedecer à vontade geral ou escolha da maioria que é o bem de todos.
O Contrato Social consiste numa associação de homens livres que sentem necessidade de união para preservarem suas propriedades e garantirem a manutenção de seus direitos e que mesmo assim sejam tenham autonomia sobre suas vidas.
As instituições sociais eficazes são aquelas que desnaturam o homem, tirando sua as individualidade e transpondo-o para o social, convertendo-o em homem civil, porém este deve manter com a sociedade a mesma relação que tinha com a natureza ou seja igualdade e independência em relação aos outros.
´´ Se as leis das nações pudessem ter, como as da natureza, uma inflexibilidade que uma força humana nunca pudesse vencer, a depressão dos homens voltaria a ser aquela das coisas, reuniriam-se na república todas as vantagens do estado natural aquela do estado civil``.
O poder para legislar compete a um ser com qualidades quase divinas para não ser injusto. O legislador é um homem extraordinário que, para não ser corrompido pelo poder, não deve governar os homens pois governa as leis e a junção destes cria o tirano.



BIBLIOGRAFIA



Russel, Bertrand (1870-1970).―História do pensamento ocidental: a aventura dos Pré-Socráticos a Wittgenstein /Bertrand Russel; tradução, Laura Alves e Aurélio Rebello-RJ: Ediouro, 3°edição, 2001.

Châtelet, François.O iluminismo (séc.XVIII)―História da Filosofia.Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1983.

Cerqueira, Adriano L. da Gama e Lopes, Marcos Antônio. A Europa na Idade Moderna. Belo Horizonte, MG: Editora lê, 3° edição, 1998.

Rousseau, Jean-Jacques, Do Contrato Social. Trad. De Rolando Roque da Silva. São Paulo, Ed. Martin Claret, 1971.


sábado, 1 de setembro de 2007

IV Simpósio Nacional Estado e Poder: intelectuais

O Simpósio acontecerá de 8 a 11 de outubro de 2007, na Universidade Estadual do Maranhão, no prédio da Arquitetura, localizado no centro histórico. O evento é uma parceria
entre o curso de História da UEMA e o grupo de pesquisa "Estado e Poder no
Brasil", coordenado pela Dra. Sônia Regina de Mendonça, da Universidade
Federal Fluminense, lembrando que será a primeira vez que o evento acontecerá fora do estado do Rio de Janeiro.

O evento terá vários Minicursos e mesas redondas ligados á economia,
então é válido! O evento está ligado também ao curso de Direito,
Filosofia, Ciencias Sociais, Turismo, Letras, Pedagogia, Geografia,
Psicologia, Artes, etc etc etc...Enfim, qualquer pessoa que se
interessar pela questões
envolvendo Estado e intelectuais no Brasil dos séculos XIX e XX.



Informações sobre programação, normas para inscrição e sugestões de
hospedagem estão disponíveis no site
www.outrostempos.uema.br/estadoepoder.htm. Disponibilizamos também, os
e-mails outrostempos_revista@yahoo.com.br e marcelocheche@ig.com.br para
dúvidas e informações.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Coleção de canudinhos

Sim meus amigos! Ainda faltam muitos canudinhos para conseguirmos o que queremos! Durante a nossa vida inteira buscamos por eles! O primeiro logo na pré escola, depois o do ensino fundamental e o do ensino médio sem falar no funil que devemos atravessar para conseguirmos o "Canudo-Master" do Ensino superior.
E não para por aí! Para conseguirmos um bom emprego temos que juntar esses canudos todos, mais os canudos de congressos, especializações, trabalhos publicados etc, etc, etc ou ainda ter o trabalho de passar por mais um funil: o do concurso! Depois de ter passado por mais esse sufoco, pensando que já tinha acabado a Odisseia, lá vem um bando de gente exigindo mais e mais canudinhos de aperfeiçoamento, reciclagem... se não tiver, você dança!
Mas depois que você dança logo vem a questão: desde quando diploma mede a capacidade de alguém? Quanta gente no mundo sem uma boa coleção de canudinhos compreende mais do mundo do que quem tem? Ah... Freud explica mas ele também deveria explicar o porquê do canudinho e essa busca incessante por ele. Hoje todas as atitudes tomadas por nós devem ser justificadas por alguma coisa e com a nossa sabedoria não seria diferente...
É a sociedade do" ver para crer" então trate-se logo de provar para alguém o que você é de verdade. Será que para provarmos que somos aptos a realizar alguma coisa sempre teremos que necessariamente, provar? Não seria mais fácil deixar que o outro perceba nossas aptidões? Se não Houver respostas à essas perguntas, então que continuemos a colecionar...
Dacélia Barrada

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Raulzito0o0o


Raul Seixas - As Aventuras De Raul Seixas na Cidade de Thor
Tá rebocado meu compadre
Como os donos do mundo piraram
Eles já são carrascos e vítimas
Do próprio mecanismo que criaram
O monstro SIST é retado
E tá doido pra transar comigo
E sempre que você dorme de touca
Ele fatura em cima do inimigo
A arapuca está armada
E não adianta de fora protestar
Quando se quer entrar
Num buraco de rato
De rato você tem que transar
Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejoHoje a gente já nem sabe
De que lado estão certos cabeludos
Tipo estereotipadoSe é da direita ou dá traseira
Não se sabe mais lá de que lado
Eu que sou vivo pra cachorro
No que eu estou longe eu tô perto
Se eu não estiver com Deus, meu filho
Eu estou sempre aqui com o olho aberto
A civilização se tornou complicada
Que ficou tão frágil como um computador
Que se uma criança descobrir
O calcanhar de Aquiles
Com um só palito pára o motor
Tem gente que passa a vida inteira
Travando a inútil luta com os galhosSem saber que é lá no tronco
Que está o coringa do baralho
Quando eu compus fiz
Ouro de ToloUns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse
Mas eles só vão entender o que eu falei
No esperado dia do eclipse
Acredite que eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva da Música Popular Brasileira
A única linha que eu conheça
É a linha de empinar uma bandeira
Eu já passei por todas as religiões
Filosofias, políticas e lutas
Aos 11 anos de idade eu já desconfiava
Da verdade absoluta
Raul Seixas e Raulzito Sempre foram o mesmo homem
Mas pra aprender o jogo dos ratos
Transou com Deus e com o lobisomem